Toque nos quadros para ver o passo-chave, a fisiopatologia, o diagnóstico, o tratamento e os pontos de atenção. No fluxograma, arraste para os lados para ver os outros ramos.
- HipoxemiaPaO₂ < 60 mmHg
- Gradiente NormalHipoventilação puraPaCO₂ alto + pH baixo
- Gradiente AumentadoDistúrbio de trocaShunt, V/Q, difusão
- HipoxemiaPaO₂ < 60 mmHg
- Gradiente NormalHipoventilação puraPaCO₂ alto + pH baixo
- Gradiente AumentadoDistúrbio de trocaShunt, V/Q, difusão
Hipoxemia PaO₂ < 60 mmHg
Gradiente Alvéolo-arterial (FiO₂×713 - PaCO₂/0,8) - PaO₂
Como decidir: Normal < 10-15: hipoventilação. Aumentado: distúrbio de troca.
• Gradiente A-a normal + PaCO₂ alto → Hipoventilação (central/neuromuscular/obesidade) (Gradiente normal exclui doença de troca)
• Gradiente A-a aumentado + NÃO corrige com O₂ 100% → Shunt (V/Q e difusão corrigem com O₂; shunt não)
• Gradiente aumentado + CORRIGE com O₂ suplementar → Distúrbio V/Q (É a causa mais comum; responde a O₂)
• Hipoxemia ao esforço + DLCO reduzida → Distúrbio de difusão (Predomina ao esforço, repouso pode ser normal)
• Gradiente A-a: Calcular sempre: separa hipoventilação (normal) de doença de troca (aumentado)
• Teste de O₂ a 100%: Não corrige → shunt verdadeiro; corrige → V/Q ou difusão
• Platipneia/ortodeoxia: Dispneia/dessaturação em pé que melhora deitado → síndrome hepatopulmonar (shunt)
Gradiente Normal Hipoventilação pura
Hipoventilação Central
Passo-chave: Gasometria + TC crânio se focal
Fisiopatologia: Depressão do drive respiratório (fármacos, lesão de tronco) reduz a ventilação → ↑ PaCO₂ com gradiente A-a normal.
Diagnóstico: Gasometria: PaCO₂ alto + gradiente normal. TC de crânio se sinal focal.
Tratamento: Suporte ventilatório; antagonista específico (naloxona, flumazenil).
Alerta: Opóides: naloxona. BZD: flumazenil.
Pegadinhas:
- Gradiente A-a normal aponta para fora do pulmão.
- Flumazenil pode precipitar convulsão em usuário crônico de BZD.
- Hipoxêmia por hipoventilação pura corrige fácil com pouco O₂.
Fraqueza Neuromuscular
Passo-chave: CVF seriada (regra 20-30-40)
Fisiopatologia: Fraqueza dos músculos respiratórios (GBS, MG) → hipoventilação progressiva.
Diagnóstico: CVF e pressões respiratórias seriadas. Investigar a doença de base.
Tratamento: Suporte ventilatório precoce + tratamento da doença (IgEV, plasmaférese).
Alerta: CVF < 15 mL/kg = intubar eletivamente.
Pegadinhas:
- Não aguardar dessaturação — ela é evento tardio e abrupto.
- Gasometria normal não tranquiliza se a CVF está caindo.
- Intubar antes da fadiga, não durante a parada.
Hipoventilação por Obesidade
Passo-chave: Gasometria + PSG
Fisiopatologia: Obesidade → restrição + drive reduzido → hipercapnia crônica com HCO₃ compensatório.
Diagnóstico: Gasometria com hipercapnia crônica; polissonografia (AOS associada).
Tratamento: VNI noturna (CPAP/BiPAP), perda de peso.
Alerta: O₂ sem VNI pode piorar a hipercapnia.
Pegadinhas:
- Sonolência diurna é pista frequente.
- Hipercapnia crônica tem HCO₃ alto — não confundir com aguda.
- O₂ isolado piora a narcose.
Gradiente Aumentado Distúrbio de troca
Shunt Intrapulmonar
Passo-chave: P/F ratio + TC tórax
Fisiopatologia: Sangue passa por alvéolos não ventilados (SDRA, atelectasia, consolidação) sem oxigenar.
Diagnóstico: Hipoxemia que não corrige com O₂ a 100%. TC mostra consolidação extensa.
Tratamento: Tratar a causa. SDRA: ventilação protetora (VT 6 mL/kg, PEEP, prona se P/F < 150).
Alerta: Não responde a O₂ 100% — sinal de shunt verdadeiro.
Pegadinhas:
- A não resposta a O₂ 100% é a marca do shunt.
- Recrutamento alveolar (PEEP) é mais útil que aumentar a FiO₂.
- Prona melhora oxigenação e mortalidade na SDRA grave.
Distúrbio V/Q
Passo-chave: AngioTC ou espirometria + eco
Fisiopatologia: Desequilíbrio entre ventilação e perfusão (DPOC, asma, TEP) prejudica a troca, mas responde a O₂.
Diagnóstico: Conforme suspeita: AngioTC (TEP), espirometria + eco (DPOC/ICC).
Tratamento: Tratar a doença de base; O₂ suplementar corrige bem.
Alerta: Causa mais comum de hipoxemia.
Pegadinhas:
- Responde a O₂ (diferencia do shunt).
- TEP é V/Q mas pode evoluir a shunt no infarto.
- Causa mais comum — buscar a doença primeiro.
Distúrbio de Difusão
Passo-chave: DLCO nas provas de função pulmonar
Fisiopatologia: Espessamento da membrana ou perda de superfície (FPI, enfisema) reduz a difusão, sobretudo ao esforço.
Diagnóstico: DLCO reduzida nas PFP; hipoxemia predomina ao esforço.
Tratamento: Tratar a doença de base; O₂ suplementar, sobretudo ao esforço.
Alerta: DLCO < 40% + hipoxemia em repouso: avaliar transplante.
Pegadinhas:
- Hipoxemia ao esforço com repouso normal sugere difusão.
- DLCO isolada baixa pode anteceder alteração gasométrica.
- Combina com V/Q nas doenças avançadas.