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- Hipertensão SecundáriaPistas que obrigam investigar
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Hipertensão Secundária Pistas que obrigam investigar
Qual causa rastrear? Pistas clínicas + laboratoriais direcionam
Como decidir: Resistente/jovem/hipocalemia/paroxismos. Cada pista aponta um eixo.
• HAS resistente (≥3 drogas incl. diurético) + hipocalemia espontânea + alcalose → Hiperaldosteronismo primário (causa mais comum) (Sem hipocalemia/resistência, é menos provável (mas não exclui))
• HAS paroxística + cefaleia + sudorese + palpitações (crises adrenérgicas) → Feocromocitoma/paraganglioma (HAS sustentada sem paroxismos torna menos provável)
• Sopro abdominal + piora da função renal com IECA/BRA + assimetria de tamanho renal → HAS renovascular (estenose de artéria renal) (Função estável com IECA e rins simétricos afastam)
• Roncos + sonolência diurna + obesidade + HAS de difícil controle (noturna) → Apneia obstrutiva do sono (Sem sintomas de SAOS, considerar outras causas)
• Creatinina elevada + alterações urinárias + rins reduzidos/alterados na USG → Doença renal parenquimatosa (Função e USG renais normais afastam)
• Relação aldosterona/renina: Elevada (aldosterona alta + renina suprimida) rastreia hiperaldosteronismo primário; confirmar com teste de supressão
• Metanefrinas plasmáticas/urinárias: Rastreiam feocromocitoma. NÃO usar betabloqueador antes do alfabloqueio (risco de crise hipertensiva)
• Imagem vascular/renal: Doppler/angioTC de artérias renais (renovascular); função renal + USG (parenquimatosa); polissonografia (SAOS)
Hiperaldosteronismo Primário
Passo-chave: HAS resistente + K baixo + aldo/renina↑
Fisiopatologia: Secreção autônoma de aldosterona (adenoma ou hiperplasia bilateral) retém sódio e espolia potássio → HAS com hipocalemia e alcalose.
Diagnóstico: Relação aldosterona/renina elevada → teste confirmatório → TC de adrenais ± cateterismo de veias adrenais (lateralizar).
Tratamento: Adenoma unilateral: adrenalectomia. Hiperplasia bilateral: antagonista de mineralocorticoide (espironolactona).
Alerta: Causa identificável mais comum; muitos são normocalêmicos.
Pegadinhas:
- Nem todos têm hipocalemia (rastrear mesmo normocalêmico se resistente).
- Cateterismo de veias adrenais define cirurgia vs clínico.
- Suspender espironolactona antes de dosar a relação aldo/renina.
Feocromocitoma / Paraganglioma
Passo-chave: Paroxismos + metanefrinas↑
Fisiopatologia: Tumor cromafim secreta catecolaminas, causando HAS paroxística ou sustentada com a tríade cefaleia + sudorese + palpitações.
Diagnóstico: Metanefrinas plasmáticas/urinárias elevadas → imagem (TC/RM; MIBG se necessário). Investigar síndromes genéticas.
Tratamento: Alfabloqueio (fenoxibenzamina/doxazosina) primeiro, depois betabloqueio se taquicardia; cirurgia após preparo.
Alerta: NUNCA betabloqueador antes do alfabloqueio — risco de crise hipertensiva.
Pegadinhas:
- Bloqueio beta isolado piora a crise (estímulo alfa sem oposição).
- 'Os 5 Ps': pressão, dor de cabeça (pain), palpitação, palidez, perspiração.
- Pode integrar NEM-2, VHL, neurofibromatose.
HAS Renovascular
Passo-chave: Sopro + creatinina↑ com IECA
Fisiopatologia: Estenose de artéria renal (aterosclerótica no idoso; displasia fibromuscular na mulher jovem) ativa o SRAA → HAS.
Diagnóstico: Sopro abdominal, assimetria renal, deterioração da função com IECA/BRA. Doppler/angioTC/angioRM de artérias renais.
Tratamento: Otimização clínica (IECA/BRA com cautela); angioplastia em casos selecionados (displasia fibromuscular responde bem).
Alerta: Piora aguda da função renal ao iniciar IECA/BRA é pista forte (estenose bilateral).
Pegadinhas:
- Displasia fibromuscular: mulher jovem, 'colar de contas' na angiografia.
- IECA pode precipitar IRA na estenose bilateral.
- Nem toda estenose se beneficia de stent (aterosclerótica).
Apneia Obstrutiva do Sono
Passo-chave: Ronco + sonolência + HAS noturna
Fisiopatologia: Episódios repetidos de hipóxia e despertar ativam o simpático e elevam a PA, sobretudo noturna (padrão non-dipper).
Diagnóstico: Sintomas (ronco, apneias, sonolência) + obesidade + HAS resistente. Polissonografia confirma.
Tratamento: CPAP + perda de peso + medidas posturais; melhora o controle pressórico.
Alerta: Causa frequente e subdiagnosticada de HAS resistente.
Pegadinhas:
- Suspeitar em HAS resistente com obesidade.
- Padrão non-dipper na MAPA.
- CPAP melhora a PA noturna.
Doença Renal Parenquimatosa
Passo-chave: Creatinina↑ + sedimento/USG alterados
Fisiopatologia: Doença do parênquima renal (glomerular, túbulo-intersticial, policística) reduz a função e retém sódio → HAS.
Diagnóstico: Creatinina elevada + alterações urinárias + rins alterados na USG. Investigar a nefropatia de base.
Tratamento: Controle rigoroso da PA (IECA/BRA antiproteinúrico) + tratar a doença renal + restrição de sódio.
Alerta: DRC é causa e consequência de HAS (círculo vicioso).
Pegadinhas:
- IECA/BRA são preferidos (nefroproteção/antiproteinúria).
- Controle de PA retarda a progressão da DRC.
- Rins policísticos: história familiar + cistos na imagem.