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  • DiarréiaPor duração e mecanismo
      • Aguda (< 2 sem)Infecciosa, autolimitadaSinais de alarme?
      • Crônica (> 4 sem)MecanismoGap osmótico + calprotectina

Diarréia Por duração e mecanismo

Duração Define a abordagem

Como decidir: Aguda < 2 sem · Persistente 2-4 · Crônica > 4 sem

• < 2 semanas, aquosa, autolimitada → Aguda (geralmente infecciosa viral) (Sinais de alarme mudam a abordagem)

• Febre + sangue/muco (disenteria) → Bacteriana invasiva (Salmonella, Shigella, STEC) (STEC: NÃO usar ATB (risco de SHU))

• ATB/hospitalização recente + diarreia aquosa profusa → C. difficile (Não usar antidiarreico (megacólon))

• > 4 semanas + gap osmótico fecal baixo + persiste em jejum → Crônica secretora (Osmótica cessa com jejum; secretora não)

• Esteatorreia + perda de peso + anti-tTG → Má absorção (celíaca/IPE/SIBO) (Gordura nas fezes aponta má absorção)

• Duração: Bifurcação: aguda <2 sem vs crônica >4 sem

• Leucócitos fecais/coprocultura: Inflamatória (sangue/muco/febre) → coprocultura; aquosa autolimitada não precisa

• Gap osmótico fecal: Distingue crônica osmótica (cessa em jejum) de secretora (persiste)

Aguda (< 2 sem) Infecciosa, autolimitada

Viral (Noro/Rotavírus)

Passo-chave: Clínico

Fisiopatologia: Lesão viral do epitélio intestinal → diarreia aquosa autolimitada.

Diagnóstico: Clínico; aquosa, náusea/vômito, 1-3 dias.

Tratamento: Hidratação; sem ATB.

Alerta: Norovírus: álcool não mata, usar sabão.

Pegadinhas:

  • Norovírus causa surtos em ambientes fechados.
  • Álcool gel não inativa norovírus.
  • Autolimitada — propedÊutica desnecessária na maioria.

Bacteriana (Salmonella, Shigella, STEC)

Passo-chave: Coprocultura + leucócitos fecais

Fisiopatologia: Invasão ou toxina bacteriana → diarreia inflamatória (sangue/muco).

Diagnóstico: Febre, sangue, muco; coprocultura em casos selecionados.

Tratamento: Suporte; ATB seletivo (não em STEC).

Alerta: STEC: NÃO usar ATB (risco de SHU).

Pegadinhas:

  • ATB na STEC (E. coli O157) aumenta o risco de SHU.
  • Disenteria febril sugere invasiva.
  • Salmonella não-tifoide: ATB só em grupos de risco.

C. difficile

Passo-chave: Toxina A/B + GDH

Fisiopatologia: ATB altera a microbiota → proliferaĉão de C. difficile produtor de toxina.

Diagnóstico: ATB/hospitalização recente; toxina A/B + GDH; TC se grave.

Tratamento: Vancomicina oral ou fidaxomicina; TMF se recorrente.

Alerta: Não usar antidiarreico. Megacólon: cirurgia.

Pegadinhas:

  • Antidiarreico pode precipitar megacólon tóxico.
  • Metronidazol caiu para 2ª linha.
  • Recidiva é comum — transplante de microbiota.

Crônica (> 4 sem) Mecanismo

DII (RCU / Crohn)

Passo-chave: Colonoscopia + calprotectina

Fisiopatologia: Inflamação imunomediada crônica do intestino.

Diagnóstico: Sangue/muco (RCU), fÍstulas (Crohn); calprotectina alta; colonoscopia com biópsia.

Tratamento: Imunomoduladores/biológicos conforme gravidade.

Alerta: Excluir C. difficile antes de tratar surto.

Pegadinhas:

  • Calprotectina < 50 afasta DII ativa.
  • Sobreinfecção por C. difficile mimetiza surto.
  • Crohn pode ter acometimento perianal e transmural.

Má Absorção (Celíaca, IPE, SIBO)

Passo-chave: Anti-tTG + elastase fecal + H2

Fisiopatologia: Defeito de digestão/absorção → esteatorreia e carências.

Diagnóstico: Anti-tTG + biópsia duodenal (celíaca); elastase fecal (IPE); teste de H2 (SIBO).

Tratamento: Celíaca: dieta. IPE: enzimas. SIBO: ATB.

Alerta: Celíaca: dieta sem glúten por toda a vida.

Pegadinhas:

  • Celíaca não tratada → risco de linfoma T.
  • Esteatorreia fétida que boia sugere má absorção de gordura.
  • Dosar IgA total (deficiÊncia causa anti-tTG falso-negativo).

Diarréia Secretora

Passo-chave: Gap osmótico + cromogranina/VIP

Fisiopatologia: Secreção ativa de eletrólitos (VIPoma, carcinoide) → diarreia que persiste em jejum.

Diagnóstico: Gap osmótico fecal < 50; persiste em jejum; marcadores neuroendócrinos.

Tratamento: Tratar o tumor; octreotide.

Alerta: Volume > 1 L/dia: hipovolemia grave.

Pegadinhas:

  • Diferencial-chave: secretora persiste em jejum; osmótica cessa.
  • Volume alto causa distúrbio hidroeletrolítico grave.
  • Pensar em tumor neuroendócrino.

SII

Passo-chave: Exclusão (Roma IV)

Fisiopatologia: Hipersensibilidade visceral e dismotilidade sem lesão estrutural.

Diagnóstico: Roma IV; sem alarme; calprotectina normal.

Tratamento: Dieta, manejo do eixo intestino-cérebro.

Alerta: Sinais de alarme: colonoscopia antes.

Pegadinhas:

  • Diagnóstico de exclusão — alarme obriga investigação.
  • > 45 anos: colonoscopia antes de rotular.
  • Sobreposição frequente com ansiedade/depressão.